Do início do processo até a condução coercitiva do ex-presidente Lula, a Operação Lava Jato desencadeia uma série de investigações sobre a corrupção no Brasil.

Durante a realização da Operação Bidone, a Polícia Federal apreende no interior um caminhão carregado de palmito, que trazia escondido 697 kg de cocaína. A investigação recai na equipe montada por Ivan Romano (Antonio Calloni), sedida em Curitiba e composta também por Beatriz (Flávia Alessandra), Júlio (Bruce Gomlevsky) e Ítalo (Rainer Cadete). As conexões do tráfico os levam ao doleiro Alberto Youssef (Roberto Birindelli) e, posteriormente, ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa (Roney Facchini), que revela uma imensa estrutura envolvendo construtoras e o governo, de forma a desviar dinheiro público. À medida que a investigação avança, o grupo liderado por Ivan se aproxima cada vez mais de alguns dos políticos mais influentes do país.

Crítica do Adoro Cinema

Em um momento político complicado e marcado por uma radicalização de todos os lados, um filme como Polícia Federal – A Lei é Para Todos se revela um grande desafio por parte de quem procura analisar o produto como obra cinematográfica. Isso porque boa parte dos leitores já entram no cinema esperando o que achar. E, por consequência, rejeitam qualquer crítica de venha de encontro com o que eles acham que o filme representa.

Embora tenha problemas sérios de discurso, é importante destacar que o problema principal do filme não é ser de esquerda ou de direita. A grande questão é que se trata de uma obra falha do ponto de vista de desenvolvimento narrativo.

Pensado como primeira parte de uma trilogia, o longa até tenta se mostrar imparcial através de uma série de fases de efeitos e referências sobre pegar o outro lado. Há, inclusive, sugestões claras de que a delação da JBS e as acusações contra Aécio Neves farão parte de uma eventual continuação. No entanto, parece claro que o filme assume uma posição à direita no aspecto político. O que, por si só, não é um problema, mas que acaba se tornando um diante de algumas escolhas bem maniqueístas, que culminam em uma sequência de críticos finais muito tendenciosa e até desonesta, ao pegar uma série de frases soltas de investigados.

Codiretor de Qualquer Gato Vira-Lata 2 e Até que a Sorte nos Separe 3, Marcelo Antunez assume aqui a cadeira de diretor sem uma pessoa ao seu lado. Tendo em vista o fato de todos seus trabalhos recentes serem comédias, o cineasta até surpreende na construção de momentos de tensão. Especialmente na sequência que abre o filme, que é a captura do empresário Alberto Youssef. É uma cena bem desenvolvida e de impacto visual, como deve ser num bom policial. Antunez, com a ajuda do roteiro de Gustavo Lipsztein e Thomas Stavros, consegue fazer bem a ligação entre como a apreensão de um caminhão de palmito levou até uma importante investigação anticorrupção.

Por outro lado, como ficção, o filme falha no desenvolvimento de seus personagens. Polícia Federal se assume quase como um longa de super-heróis em alguns momentos, em especial quando vemos a formação da equipe da PM responsável pela investigação em Curitiba. O problema é que mesmo em filmes de super-heróis, os estúdios já perceberam que o público não quer mais saber de personagens sem falhas. E é o que acontece aqui. Temos vários heróis perfeitos lutando para salvar o Brasil. Que sejam boas pessoas no mundo real, pouco importa, aqui fica a clara impressão que o roteiro faz de tudo para tornar seus protagonistas em mártires. Por exemplo, vemos um investigador largando tudo algumas vezes para cuidar dos pais, temos o juiz que só é visto ao lado da família e com os alunos, e muitos momentos de confraternização e amizade entre todos. Todos os conflitos são relativos à investigação e a maioria deles solucionados rapidamente.

Se os “heróis” são bem desenvolvidos, o mesmo não se pode dizer sobre os “vilões”. E nem falo de abordar qualidades ou pontos positivos dos antagonistas, mas ao menos oferecer figuras com mais camadas. São várias as abordagens caricatas dos criminosos, com direito a uma doleira tomando champanhe em uma banheira enquanto trata de seus crimes. Só faltou o vilão que joga xadrez sozinho. É aí que entra a figura de Lula, vivido pelo ótimo Ary Fontoura, tratado como pessoa arrogante e chula. O ator apresenta uma performance repleta de escolhas ruim, a começar por tentar imitar a voz do ex-presidente, que leva a uma gargalhada geral no cinema em meio a uma cena séria. Dentro do princípio da suspensão da realidade, era até melhor que o ator não tentasse reproduzir o tom de voz.

Se o Lula de Fontoura é uma caricatura em si, cabe elogiar o trabalho de Antonio Calloni como o delegado Ivan, líder da investigação. O ator passa muita humanidade ao personagem e é o único que parece refletir sobre a situação como um todo. O restante do elenco não compromete, embora também não sejam ajudados pelo roteiro, que oferece linhas como “Se tem um jabuti numa árvore é porque alguém colocou ali”, algo que é repetido inúmeras vezes ao longo da produção. Parece comédia, mas não é.

Cinema e propaganda estiveram lado a lado por toda história. Polícia Federal seria ao menos mais honesto se assumisse sua posição política, confirmada através de elementos já citados e de uma postura extremamente didática sobre alguns fatos e observações provenientes das investigações. É comum vermos a personagem de Flávia Alessandra reexplicando algo que tinham acabado de explicar, como se quisesse impregnar na cabeça do espectador o que está sendo dito.

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Albert Corbett

Fundador do Grupo Pé de Cogumelo, especializado em comunicação digital e mídias sociais. Sou bem humorado, divertido, um pouco carente mas sempre seguindo meus ideais, sem nunca sobrepor ninguém ou outras idéias. Faço de minha profissão também meu hobby, assim expondo sempre meu portfólio de uma forma divertida, mas nunca esquecendo da qualidade e profissionalismo.

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